Sugestões Programáticas para o Meio Ambiente Brasileiro,
oferecidas
à Candidata Marina Silva à Presidência da República
por Gilberto d´Ávila Rufino
Doutor em Direito Ambiental e Urbanístico
(Universidade de Limoges, França)
Promover a Gestão Integrada
do Litoral, mediante destinação de recursos oriundos dos hidrocarbonetos extraídos na camada do
Pré-Sal, capacitando os municípios costeiros para implementação de planos de revitalização,
saneamento, e defesa da costa contra os processos erosivos naturais ou artificiais, notadamente os decorrentes das mudanças
climáticas
Promover a gestão dos bens que integram o Patrimonio Público na Zona Costeira,
assegurando sua defesa contra usurpações e desvios de finalidade (terras devolutas, terrenos de marinha,
manguezais, dunas, sistemas lagunares, terras úmidas de deltas e estuários, restingas e encostas das serras
litorâneas)
Proteger as zonas úmidas costeiras em todo o território nacional, nos termos da Convenção
de Ramsar (Iran, 1971) através de uma legislação específica e adaptada ( Pantanal, várzeas
amazônicas, brejos, marismas e manguezais)
Promover uma Reforma Urbana com apoio no Estatuto
da Cidade, prevendo-se a criação de cidades novas e a contenção da expansão nas áreas
metropolitanas congestionadas
Prosseguir na implementação de um Plano Nacional de Ordenamento do Território
(contemplando o zoneamento ecológico econômico) , estabelecendo metas e diretrizes para a ocupação
racional dos espaços e utilização dos recursos naturais
Valorizar a propriedade pública
remanescente sobre as matas brasileiras, promovendo a discriminação das terras devolutas, e a sua reintegração
no patrimônio público
Propor através de lei federal ou no plano da Constituição
Federal, com base no princípio da função social e ambiental da propriedade, o desmembramento da titularidade
da cobertura vegetal, definindo esse recurso natural como um bem público, à semelhança da evolução
normativa ocorrida nos regimes jurídicos mineral e das águas
Promover a regularização fundiária
das áreas de proteção à natureza, em sincronismo com a defesa integrada da propriedade
pública remanescente, de modo a evitar a incidência de indenizações abusivas e desnecessárias
Promover
a revitalização e valorização dos assentamentos urbanos espontâneos (favelas e mocambos)
e a conseqüente readaptação aos ecossistemas (áreas inundáveis ou de encostas sujeitas à
erosão) favorecendo a criação de novas paisagens e melhora no habitat humano
Valorizar os assentamentos
humanos tradicionais (vilas de pescadores, aldeamentos, quilombos), promovendo o seu desenvolvimento social e econômico
sustentável
Promover a defesa do patrimônio histórico nacional, favorecendo a sua conservação
pelos proprietários através da concessão de subvenções e incentivos (empréstimos
e seguro imobiliário)